书籍介绍
O livro conta-nos a história de Ma Yan, uma rapariga de catorze anos, de raça Hui, que vive na remota e isolada província de Ningxia, na aldeia Zhang Jia Shu, no noroeste da China. Tem dois irmãos mais novos e é filha de Ma Dongji, o pai, e Bai Juhua, a mãe, ambos camponeses pobres, e sabe desde cedo que a espera uma vida difícil, árdua e cheia de sacrifícios. No entanto, quando se apercebe de que os pais não têm meios financeiros para a manter na escola, uma vez que aquela região do globo fora afectada por cinco anos consecutivos de seca, destruindo as colheitas dos camponeses, todos os seus sonhos desaparecem.
Determinada e com coragem, Ma Yan descreve toda a revolta e impotência que sente face a um destino impiedoso de não poder estudar e de não ter a possibilidade de usufruir de uma vida melhor que a dos seus pais, pois Ma Yan não procura uma melhor qualidade de vida só para si, mas também proporcionar uma vida razoável e com prazer aos seus pais na segunda metade da sua vida. A mãe, transtornada pelo desespero e potencialidades demonstrada pela filha (na escola que frequenta, Ma Yan é uma das melhores alunas), confia uma carta redigida por esta, “Quero Estudar” (redigida em Maio de 2001), assim como os três pequenos cadernos que perfazem o diário íntimo da filha, a um grupo de cidadãos franceses que estão pela primeira vez de passagem por aquela aldeia do fim do mundo, em finais de Maio de 2001. Entre eles está o jornalista Pierre Haski, correspondente de um jornal francês em Pequim. O pedido de ajuda acabará por chegar a boas mãos, visto que a história de Ma Yan e de outros milhares de crianças chinesas provocou uma onda de solidariedade em vários países, nomeadamente na França e Itália, que contribuiram, juntamente com Pierre Haski, para a criação de uma associação, a Enfants du Ningxia, de modo a fornecer fundos a Ma Yan e a dezenas de crianças daquela região da China, permitindo que estas reencontrassem o caminho da escola e realizassem os seus sonhos.
O Diário Ma Yan retrata o seu quotidiano na escola e na aldeia onde vive. Mostra os longos e perigosos caminhos de casa até à escola, o ensino rudimentar e uma aldeia sem telecomunicações, pouca água e os seus campos áridos da seca extrema. Com palavras simples, o diário traça a história de uma infância penosa, sub-nutrida pela escassez de alimentos, pois Ma Yan frequentara uma escola interna, onde apenas aos fins-de-semana podia viajar até à sua aldeia, altura em que se alimentava mais abundantemente. Esta escola não possui infra-estruturas, não fornece nenhum material escolar ou alimento, para além do arroz amarelo e duro da região.
Conta-nos vários episódios. Uma deles ocorreu na altura em que não possuía uma caneta e passou quinze dias sem comer na escola, de modo a poupar para a comprar. Outra refere-se aos momentos na escola em que os professores batiam com a palmatória nos alunos de forma a repreendê-los e quando, um dia, um professor arrancou um pedaço de uma orelha a um aluno; e, ainda, o clima de insegurança que as crianças sentiam nos rochedos de volta para casa, pelo que muitas vezes eram interpolados por pessoas mais velhas que lhes batiam e roubavam o material escolar.todavia os pais ou os alunos não podem reclamar. No entanto, os pais e os alunos não podiam reclamar.
Assim, ao longo do seu diário, Ma Yan retrata a pobreza e miséria da família, pois não tinham dinheiro para sustentar a educação dos filhos, de lhes proporcionar uma infância de prazeres ou de pagar o regresso a casa de tractor como o resto das crianças. Salienta, em quase todas as páginas, o sacrifício feito pela mãe, que trabalha arduamente até ao limite das suas forças para os seus filhos conheçam um destino bem melhor. Fala-nos também do pai que vai à procura de trabalho, fora da aldeia para outros países ou regiões, como muitos outros camponeses, a fim de arranjar dinheiro para a sua família. Contudo, como estes não beneficiam de qualquer protecção legal, não são pagos na maior parte das vezes.
Mas, nem tudo é mau na vida de Ma Yan. No seu diário, mostra a camaradagem das suas amigas, a união entre a sua vasta família na sua aldeia, os fins-de-semana que passa com os seus pais, a sua determinação em superar todas as adversidades, o seu amor pelo ensino e uma grande vontade de aprender.
Citações
“Quem vive na China sabe perfeitamente que este imenso país continua a sofrer de um grande subdesenvolvimento, que faixas inteiras da sua população, sobretudo nas províncias do oeste, não acompanham o fantástico crescimento da sua economia. Mas as montras cada vez mais opulentas de Pequim e Xangai têm virtudes anestésicas, encobrem a dura realidade muitas vezes oculta no interior das grandes cidades e a fortiori a mil quilómetros de distância. Ningxia foi uma chamada de atenção: a pobreza está longe de ter sido erradicada numa China que cava a alta velocidade um fosso entre os habitantes que beneficiam do seu progresso e a grande massa dos abandonados pelo crescimento.” Págin